[NOTA DE REPÚDIO AO AUMENTO DA TARIFA DAS PASSAGENS DE ÔNIBUS NA CIDADE DE MACEIÓ]

[NOTA DE REPÚDIO AO AUMENTO DA TARIFA DAS PASSAGENS DE ÔNIBUS NA CIDADE DE MACEIÓ]

Os/as foliões/onas estavam em clima de festa quando, no último dia 15, todos/as foram acertados por um golpe certeiro em seus bolsos: entrara em vigor o novo preço da tarifa das passagens de ônibus na cidade de Maceió, passando de R$2,50 para R$2,75. Trabalhadores/as e estudantes retornaram às suas atividades regulares, após o carnaval, pagando mais caro para se locomoverem pela cidade. Mas por que esse acontecimento causa tanto alarde? Como, de uma hora para outra, R$0,25 passaram a significar tanto dinheiro?

O reajuste foi covardemente anunciado em pleno período pré-carnavalesco, de tal forma que dificultou a mobilização da população para manifestações que visassem combater o aumento. Mas não foi o bastante para calar a voz do povo. No dia 05/02, a população foi às ruas do centro da cidade para cobrar que o prefeito Rui Palmeira (PSDB) barrasse o ignominioso aumento, o que terminou não acontecendo.

Mesmo depois de viger o novo preço da tarifa, as manifestações continuaram, até que culminou no grande ato que parou a cidade no último dia 27/02. Estudantes, vigilantes e militantes da CUT – Central Única dos Trabalhadores – bloquearam a Fernandes Lima, principal via da cidade, em seus dois sentidos, reivindicando o passe livre estudantil e manifestando total repúdio à demissão de 360 vigilantes que faziam a segurança de escolas, pela Secretaria de Estado da Educação. O ato foi reprimido pela força policial do Estado.

O aumento da tarifa na cidade de Maceió foi o segundo em menos de um ano. A passagem, que em março de 2014 custava R$ 2,30, passou a custar R$ 2,75 em fevereiro de 2015, significando um expressivo aumento de 20%, frente ao aumento de apenas 8,8% do salário mínimo no mesmo período (que foi de R$ 724,00 para R$ 788,00). Consequentemente, um/a trabalhador/a de Maceió que recebe até um salário mínimo gastará, sozinho/a, em média, 20,9% do seu salário para ir trabalhar todos os dias.

É importante destacar que cobrar passagem visando o lucro é mercantilizar parte do nosso direito de ir e vir, o que limita o acesso a outros direitos, como saúde, educação e lazer. É o que fazem as empresas de ônibus em nossa cidade, que, sem terem passado por nenhum processo de licitação, num obscuro acordo com as autoridades competentes (principalmente com os/as políticos/as que são financiados/as por essas empresas), exploram o povo em todos os sentidos, desde os/as usuários/as que pagam caro por um transporte impontual e sucateado, até os/as rodoviários/as que trabalham em condições insalubres.

Dessa maneira, o Centro Acadêmico Guedes de Miranda vem, através desta nota, demonstrar todo o repúdio ao aumento da tarifa das passagens de ônibus, que significa uma afronta a todos/as os/as trabalhadores/as e estudantes não só da cidade de Maceió, mas também aqueles/as que precisam vir à capital regularmente. Ademais, vem o Centro Acadêmico Guedes de Miranda declarar total apoio às manifestações de trabalhadores/as e estudantes que aconteceram ou venham a acontecer no que se refere a essa pauta, pois cremos que o transporte público, gratuito e de qualidade é um direito de todos, e assim o defendemos e por tal lutaremos.

Somente através da luta é possível superar toda e qualquer situação de exploração!

Maceió, 2 de março de 2015

Centro Acadêmico Guedes de Miranda.

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