[NOTA SOBRE O 8 DE MARÇO] 8 DE MARÇO PARA QUEM?

[NOTA SOBRE O 8 DE MARÇO]

8 DE MARÇO PARA QUEM?

”Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres.”
- Rosa Luxemburgo

Muito se fala e pouco se conhece sobre o 8 de março. A história começa em NY, 1857, quando operárias de uma fábrica de tecidos resolvem fazer uma greve reivindicando melhores condições de trabalho através da redução da jornada (16 para 10h diárias), da igualdade salarial com os homens e da melhoria das condições no ambiente de trabalho. Como é de praxe, a repressão tomou conta da greve, incendiando a fábrica e, consequentemente, matando muitas das tecelãs. 53 anos após o ocorrido, em uma conferência na Dinamarca, Clara Zetkin, marxista alemã e ativista pelos direitos femininos, propôs que o 8 de março fosse reconhecido como ‘’Dia Internacional da Mulher’’. Em 1975, a ONU (Organização das Nações Unidas) passa a ter a data como oficial.

A data, por sua vez, além de ganhar um caráter puramente comercial e impulsionador da ‘’indústria feminina’’ (a mesma que produz comerciais impulsionando um padrão de beleza e rega com flores o 8 de março), não conseguiu tomar uma via diferente da reprodução do machismo em nossa sociedade: um 8 de março que ao invés de servir de denúncia da condição da mulher em nossa sociedade, serve para afeminá-la, através anúncios com a simbologia da delicadeza, de desejos de produtos que despertem a atenção do companheiro, de falsas atitudes de libertação. Enquanto muitas recebem presentes e um ‘’feliz dia da mulher’’ no 8 de março, outras são assassinadas, sofrem violência doméstica, são estupradas (por que ‘’pediram’’, uma vez que saíram na rua tarde), sofrem a desvantagem no mercado de trabalho, estão sujeitas a dupla jornada de trabalho. Não demora muito para que uma mídia que compactue com as mais variadas formas de opressão também ganhe espaço e seja aplaudida (como já foi visto, recentemente, os vários depoimentos de estupros aplaudidos em rede nacional, como já visto recentemente nas inúmeras manchetes sobre ícones femininos que, no lugar de falar de suas ações, falava-se de suas roupas, etc.).

Para se combater qualquer forma de opressão existente é preciso antes compreender o processo que rege a sociedade. Somente entendendo que a desigualdade das mulheres é um processo que começa com a divisão sexual do trabalho e se consolida com a constituição dos gêneros sociais, que a constituição social se faz em torno das classes sociais e não em torno dos gêneros, torna-se possível entender que o problema da opressão feminina vai além da questão de gênero: toca no que concerne à humanidade. Uma vez que todos nós estamos sujeitos as leis do capital, nada mais justo que ir além da luta pelos direitos femininos dentro da democracia burguesa, lutando pela emancipação de um complexo maior, livre de gênero, raça, classe.

Por um 8 de março que desbrave os mitos dos gêneros! Ousemos buscar entender a consolidação dos processos para travar nossas lutas.Por um 8 de março classista! No dia da mulher trabalhadora, ao invés de flores, dê-se respeito e junte-se à luta! Rosa Luxemburgo, Clara, Olga, Frida, Simone e todas as ’’Marias’’, mulheres trabalhadoras: presente!

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